como todos os sábados, aproveito para fugir da preguiça e do sedentarismo gerado em meu escritório, “correndo”, ou melhor, andando em passos rápidos no Parque da Água Branca, localizado perto de minha residência.
E assim tem sido por um bom tempo, até que sábado passado essa conduta esportiva tornou-se inesquecível para mim.
Vou contar por quê!
Estava eu a correr, como sempre faço e sem perder o hábito de prestar atenção nas ações humanas, ricas em detalhes por sinal.
Assim foi quando deparei com uma senhora bem velhinha, cerca de uns 80 anos, bem arrumadinha, muito bem agasalhada, com batonzinho vermelho, cabelos bem branquinhos, magrinha e com algumas joias.
Enfim, expondo sua vontade de viver e de ser notada. Agora vem o detalhe do fato:
A senhorinha carregava um celular rosa com os dois fones grudados nos ouvidos, que lhe dava compassos musicais a seus passos, até que bem rápidos e um semblante de pura satisfação por estar ali, naquela manhã cheia de sol.
O mais interessante é que toda vez que cruzava comigo na trilha, ela sorria e me cumprimentava abaixando a cabeça e esboçando um sorriso simpático como se dissesse:
Viu só como consigo?
E lá ia para mais uma “vitoriosa” volta.
E tudo ia bem até que em uma das voltas, ao passar por mim, a coitada tropeça e cai de joelhos no chão batido do parque.
Claro que vou rapidamente acudi-la e ela me fala: - Está tudo bem, senhor!
Só me ajude a pegar o celular. Tenho uma vida inteira nele!
Quando vou pegar o tal aparelho, vejo que, como todos os celulares que quando caem se desintegram, desta vez não foi diferente!
Era celular de um lado, bateria do outro, tudo como manda o figurino.
Não falei ainda, mas o parque da Água Branca tem várias espécies de aves soltas e muitas galinhas de angola compartilhando o espaço dos adeptos da caminhada.
Foi nesse quadro que comecei a pegar os restos do celular daquela simpática senhora.
- Calma, querida, já monto o celular e tudo vai ficar bem novamente!
Quando pego a caixa e a bateria para remontá-lo, minha amiga de corrida grita: - Senhor, olha lá! Aquela galinha pegou o meu chip! Por favor, vá atrás dela!
Não posso perdê-lo! E, realmente, lá estava a galinha de angola com o chip da minha colega de parque no bico. Adivinhem?
Ponho-me a correr atrás da galinha para pegar o danado do chip. Só que apareceram umas cinco da mesma espécie, todas elas iguaizinhas e talvez “informatizadas”.
Daí complicou! Pois a ladrona entrou em um cercadinho junto com as outras.
Fui até lá e nada!
Em dado momento pensei que estivessem brincando de revezamento, pois juro que vi o chip com outra ave, mas enfim o chip sumiu!
Desanimado, volto e começo a montar o celular da senhorinha. Ela me agradece e vou seguindo meu caminho.
A dona do chip continuou lá tentando encontrar a angola informatizada.
Ah... sim!
Ainda voltei para despedir-me dela e desculpar-me pelo fracasso de não ter recuperado seu importante chip, mas não encontrei mais com a senhorinha.
Pensei até em pedir a um dos responsáveis pela limpeza do parque que me avisasse, caso encontrasse uma galinha cinza de bolinhas brancas com um chip no bico.
Aí olhei para o faxineiro e desisti da ideia.
Não ia dar certo!
O duro é que nem peguei o e-mail da galinha. Apenas imaginei como poderia ser:
galinha.angola@aguabranca.br
Ou melhor :
galinha.angola@aguabranca.gov.br
(Afinal ela pertence a um órgão público!)
segunda 08 agosto 2011
22:30 , em Crônica

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